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quinta-feira, 24 de maio de 2012

No Egipto as mulheres votam pela primeira vez

Mas em apartheid dos homens...



Outras notícias em português:

Apesar das eleições, militares dizem que vão mandar no destino do Egito
País ainda não elaborou nova constituição definindo o papel do presidente. Muita gente teme que o poder dele seja limitado pelos militares.

O clima nesta quarta-feira (23/5) durante as eleições no Egito é tenso e violento. Cerca de 51 milhões de eleitores são esperados nos dois dias de votação – hoje e amanhã (24/5). Na disputa, 12 candidatos concorrem à Presidência da República. 

Candidatos egípcios às eleições presidenciais (com vídeo)
A campanha foi dominada pelos islamistas, vencedores das recentes legislativas e pelos candidatos do antigo regime que querem assumir o regresso à estabilidade, entre eles, Ahmad ShafiK.

Eleições presidenciais no Egipto começaram hoje
A primeira volta das presidenciais no Egipto começaram hoje, nas eleições consideradas históricas e destinadas a eleger o sucessor de Hosni Mubarak, derrubado em Fevereiro de 2011.
O Egipto, país mais populoso do mundo árabe, com 82 milhões de habitantes e mais de 51 milhões de eleitores, foi o segundo Estado da região a afastar o presidente, na sequência de uma revolta popular, a seguir à Tunísia.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

12 mil julgamentos militares e torturas no Egipto

Mensagem do Cairo para o Mundo

Apelo à Solidariedade com o Egipto: Defender a Revolução

Uma carta do Cairo para todos os movimentos Occupy/Decolonize e outros movimentos solidários.

Após viver três décadas sob uma ditadura, o povo Egípcio começou uma revolução exigindo pão, liberdade e justiça social. Ao fim de dezoito dias de uma quase utópica ocupação da Praça Tahrir, livrámo-nos de Mubarak e iniciámos a segunda e mais árdua tarefa de remover todo o seu aparelho de poder. Mubarak foi-se, mas o regime militar mantém-se. Assim, a revolução continua - pressionando, tomando as ruas e reivindicando o direito a controlar as nossas vidas e os nossos meios de subsistência contra sistemas repressivos que durante anos abusaram de nós. Mas agora, tão cedo após o seu início, a revolução está a ser atacada. Escrevemos esta carta para vos falar sobre aquilo a que estamos a assistir, como queremos opor-nos a esta repressão, e para apelar à vossa solidariedade.

25 e 28 de Janeiro, 11 de Fevereiro - vocês viveram estes dias connosco através da televisão. Mas nós continuámos a batalhar no 25 de Fevereiro, no 9 de Março, no 9 de Abril, no 15 de Maio, 28 de Junho, 23 de Julho, 1 de Agosto, 9 de Setembro, 9 de Outubro. Uma e outra vez o exército e a polícia atacaram-nos, espancaram-nos, prenderam-nos, mataram-nos. E nós resistimos, nós continuámos; uns dias perdemos, outros ganhámos, mas nunca sem custos. Mais de mil pessoas deram as suas vidas para depôr Mubarak. Muitas mais se juntaram a elas desde então. Nós continuamos para que as suas mortes não tenham sido em vão. Pessoas como Ali Maher (manifestante de 15 anos morto/a pelo exército na praça Tahrir, a 9 de Abril), Atef Yehia (baleado/a na cabeça por forças de segurança num protesto em solidariedade com a Palestina, a 15 de Maio), Mina Danial (baleado/a pelo exército num protesto em Maspero, frente à sede da TV estatal, a 9 de Outubro). Mina Daniel sofre em morte a perversa indignidade de estar na lista de acusados dos militares.

Para além disso, desde que a junta militar tomou o poder, pelo menos 12,000 de nós foram julgados/as por tribunais militares, sem possibilidade de chamar testemunhas e com acesso limitado a advogados. Há menores a cumprir penas em prisões de adultos, sentenças de morte, tortura generalizada e descontrolada. Manifestantes femininas foram alvo de agressões sexuais, sob a forma de "testes de virgindade", por parte do exército.